Oyekun Bika (Òyèkún Ìká) é o Odu número 41 da ordem genealógica de Ifá, formado entre os Ojú Odù Òyèkú e Ìká. Ensina a importância de levar uma vida honesta, deixando claro que aqueles que agem mal, especialmente no religioso, costumam ter um fim amargo e cheio de sofrimento.
As pessoas regidas por este Odu não devem ser rancorosas nem cobiçar os feitos alheios. Diz-se que Oyeku Bika nasceu no seio de uma família de grandes feiticeiros, muito famosa em Daomé e na Nigéria, capaz de acabar até com o próprio Obá. Por isso, este Odu é conhecido também como o advogado defensor de Ifá: maneja um poder forte, mas orientado para a justiça e a retidão.
Significado e Análise geral de Oyeku Bika
Oyeku Bika é um Odu marcado pela morte, feitiçaria e inveja, mas também pela defesa e justiça espiritual. Aqui nasce o Ituto e o mistério de por que algumas pessoas morrem em paz e outras em agonia: Ifá ensina que a forma de viver, pagar o que se deve e respeitar Eggun influencia como o ciclo da vida se fecha.
Este Odu pertence a uma estirpe de grandes feiticeiros. O bastão de nove cabeças simboliza o poder para dominar a feitiçaria, mas também adverte sobre a soberba, a vingança e o abuso do axé. A pessoa regida por Oyeku Bika não pode viver de forma irresponsável: vem com um poder que, se não for controlado, se volta contra ela.
Neste signo há falsidade e hipocrisia entre irmãos e Awoses. Abundam os sorrisos que escondem facas, a inveja pela sorte alheia e as fofocas. Por isso Ifá pede caráter comedido, prudência, respeito aos mais velhos e apoio constante no sacrifício para se manter em Ire.
Aspectos econômicos em Oyeku Bika
No aspecto econômico, Oyeku Bika ensina que a estabilidade se constrói pouco a pouco. Ifá aconselha a ganhar um pouco a cada dia, em vez de buscar um grande golpe de dinheiro que depois deixe meses de escassez. Não é um signo para a avareza nem para atalhos.
O consulente costuma ser invejado por sua sorte material, inclusive por irmãos de sangue ou de religião. Mostrar demais o que se tem apenas alimenta rivalidades. Por isso é importante cobrar os trabalhos com justiça, pedir empréstimos moderados e evitar negócios obscuros ou criminosos.
“Mais vale muitos poucos do que poucos muitos” ressalta o valor da constância sobre o golpe de sorte. Òyèkú Ìká nos lembra que os pequenos ganhos firmes, acumulados com paciência e disciplina, constroem uma base mais sólida do que os grandes feitos isolados que depois não se repetem.
A economia se fortalece quando se protege a casa, os negócios e as mãos de Ifá com Ebó e conduta reta. Este Odu lembra que os filhos serão a verdadeira riqueza do futuro: o que se investe neles rende mais do que qualquer ganho momentâneo.
Saúde e Bem-Estar
Em saúde, Oyeku Bika fala de falta de ar, sufocamentos, problemas cardíacos e transtornos estomacais ligados ao estresse e aos impactos emocionais. A pessoa tende a carregar no peito suas preocupações e conflitos espirituais.
Quando o Odu vem Osobo, existe risco de morte súbita se não forem respeitados os tabus e os Ebó. Uma das proibições mais importantes é não molhar a cabeça com água, especialmente com a chuva. O Orí é muito sensível e pode desestabilizar-se se não for protegido.
Recomenda-se usar uma jícara consagrada ao se banhar e rogar a cabeça com Ejá-Iñiru, para esfriar a mente e assentar a energia. Também são proibidos o milho, os feijões-cavaleiro e as unhas longas, porque se carregam de negatividade. Evitar sustos fortes, ambientes muito pesados e o excesso de trabalho em lugares “duros” é fundamental para preservar a vida.
Aspectos religiosos e espirituais
Espiritualmente, Oyeku Bika caminha muito perto do mundo dos mortos e dos segredos da feitiçaria. Aqui nasce a cerimônia do Ituto, e este Odu atua como ajudante de Oyeku Meji nos ritos mortuários. A pessoa costuma ter meia unidade espiritual: o morto “fala ao ouvido”, sonha e percebe mais do que o normal.
Essa sensibilidade pode se converter em um grande dom se bem canalizada, mas também em um peso se misturada com o medo e a imprudência. As mulheres com este Odu não devem ir a velórios e necessitam de Ebó para não ficarem presas em cargas de cemitério ou pactos espirituais.
Oyeku Bika recebe o bastão de nove cabeças para dominar a bruxaria, mas Ifá deixa claro que este poder é para defender, não para vinganças caprichosas. É importante receber Osanyin, Oduduwa, Azojuano, Bromú e Broncía, atender a Obatalá e a Olofin, e cumprir com as oferendas a Olokun e as saudações a Olorun. Quando esses fundamentos são respeitados, o signo se torna um escudo contra feitiços, fofocas e inimigos ocultos.
“O olho de Deus te observa quando fazes o mal” lembra que nenhuma ação fica realmente oculta. Oyekun Bika fala de consciência e responsabilidade: mesmo que ninguém nos veja, o espiritual presencia nossos atos, e cedo ou tarde haverá consequências pelo dano que causamos, mesmo em segredo.
Relações pessoais (Amor)
Nas relações, Oyeku Bika marca cenários tensos: triângulos amorosos, amigos que desejam o mesmo parceiro, ciúmes entre irmãos pela sorte afetiva ou familiar do consulente. A paixão e a rivalidade costumam andar de mãos dadas neste signo.
A pessoa atrai gente de caráter forte, bonita e até mesmo briguenta. Se não controlar seu temperamento, acaba respondendo com a mesma violência que recebe. Ifá pede para baixar o tom, evitar os insultos e não expor a vida íntima para todo o mundo, porque o que se conta demais pode ser usado contra.
Este Odu adverte contra “vender o sangue por cauris”: não sacrificar a lealdade familiar nem a dignidade pessoal por dinheiro, conveniência ou status. Quando o consulente cuida de seus filhos, respeita seus mais velhos e deixa que Ifá desmascare os falsos amigos, Oyeku Bika transforma os conflitos amorosos em aprendizado e permite construir relações mais sinceras e protegidas.
Descrição Geral do Signo Oyekun Ika
Oyeku Bika é um Odu onde a morte, a feitiçaria e a inveja se cruzam com o destino da pessoa. Ifá diz aqui que não basta ter poder espiritual: é preciso saber usá-lo com humildade e moderação. Este signo nasce no seio de uma família de feiticeiros célebres, capazes de destruir até o próprio Obá, e por isso marca vidas onde o caráter, o uso do axé e as relações com a família e os irmãos espirituais devem ser muito bem vigiados.
Nomes ou Alias:
- Oyekun Bika.
- Òyèkú Ìká.
O que nasce no odu Oyekun Ika?
- Nasceu: A cerimônia de Ituto.
- O porquê de as pessoas morrerem em paz e outras em violenta agonia.
- A sombrinha.
- O duelo à pistola.
- O desenvolvimento de Orí.
- O porquê de o Iyawó ir ao rio buscar uma Ota (pedra).
- O segredo de Oyekun Bika é rogar a cabeça com Iñiro rabo-de-rubi.
- Aqui: Os Awoses se tratam com falsidade e hipocrisia.
- Foi onde Ogún tirou os 16 Mejis da prisão.
- Dá-se de comer a Olofin.
- Não se deve banhar no rio nem sua cabeça pode entrar em contato com a água.
- Ifá deu o poder de dominar a Feitiçaria a Oyekun Bika, com o bastão de nove cabeças.
Recomendações
- Awó Oyeku Bika deve receber Azojuano (São Lázaro).
- Conformar-se em ganhar um pouco de dinheiro a cada dia, em vez de muito de uma vez.
- Cobrar os trabalhos espirituais com um preço moderado, para que as pessoas os façam.
- Se for pedir dinheiro emprestado, não pedir quantias altas para que lhe sejam concedidas.
- As mulheres com este Odu devem fazer ebó com pano sujo de seu costume para não perigar no pacto.
- Atender sempre a Obatalá, que pode ser seu Anjo da Guarda e protetor de suas coisas.
- Fazer ebó antes de viajar para não perigar.
- Cuidar bem dos filhos, que serão sua sorte no futuro.
- Ocupar-se dos Santos e das proteções espirituais, para prosperar e não perder o que se tem.
- Cuidar-se de sustos para não comprometer a vida.
- Ter cuidado com uma pessoa mais velha, amigo ou parente de religião, que por inveja pode prejudicar com bruxaria ou fofocas.
- Ter uma jícara (igba) consagrada para usá-la ao se banhar.
- Manter um caráter comedido, pois terá afilhados bonitos, belicosos e rudes.
- Fazer ebó com centopeia para que os afilhados não o destronem.
- Colocar uma canoa na Mão Grande de Ifá.
- Saudar Olorun (o Sol) durante doze dias seguidos pela manhã.
- Oferecer um galo a Olokun em um rochedo na costa.
- Colocar uma tabuinha de cedro em cada mão de Ifá.
- Dar de comer a Olofin.
- Receber Bromú e Broncía, e rogar a cabeça com Ejá-Iñiru (rabo-de-rubi).
- Trabalhar muito Ifá, porque este é um Odu de muito esforço.
- Receber Osanyin e Oduduwa com precisão.
Proibições
- As mulheres com este Odu não devem ir a velórios.
- Awó Oyeku Bika nunca deve molhar a cabeça com água da chuva nem permitir que sua cabeça tenha contato com nenhuma água.
- Por este Ifá não se come milho.
- Não se devem ter as unhas longas.
- Não se deve comer feijões-cavaleiro.
- Awó Oyeku Bika não deve fazer Ifá para ninguém.
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Refrões do signo de Ifá Oyekun Bika:
- O olho de Deus te observa quando fazes o mal.
- O mal que fazes ao próximo, te volta pela mão de Deus.
- Aquele que crê que um inimigo é fraco, é como aquele que crê que uma faísca não faz fogo.
- Quando a chuva cai, os pássaros do campo não cantam.
- O caminho não diz nada a ninguém sobre os trabalhos daqueles que por ele passaram.
- O atormentado faz com que suas vítimas sejam invencíveis.
- O caminho não diz nada a ninguém sobre os trabalhos que passaram, aqueles que passaram sobre ele.
- Mais vale muitos poucos do que poucos muitos.
- Mais vale fazer Itá do que Ituto.
“O caminho não diz nada a ninguém sobre os trabalhos daqueles que por ele passaram” fala do invisível do esforço alheio. Este refrão nos lembra que por trás de cada pessoa há lutas, cansaço e sacrifícios que não se veem, e por isso não devemos julgar a vida de ninguém à primeira vista.
Diz Ifá no odu Oyekun Bika
A vida nos ensina a começar pelo pequeno: o que é colocado em nossas mãos, se cuidado com gratidão, abre portas silenciosas de bênção. Não é preciso cobiçar o axé alheio; o que não nasceu para um se torna veneno. Quem age corretamente, caminha para uma morte em paz e um legado limpo.
Quando “chove” contra nós, não se trata de brigar com o céu, mas sim de aprender a usar a jícara: proteger-se com obediência, fé e Ebó. A mesma água que destrói a outros pode se tornar fertilidade para quem honra seu destino, se afasta da inveja familiar, compartilha de coração e não vende o sangue por cauris nem se contamina com dinheiro injusto, porque a terra e os Orixás sempre trazem a verdade à tona.
Ifá ensina a não confiar em sorrisos que escondem facas: a proteção espiritual rompe armadilhas e devolve o veneno à origem. A dor, em vez de nos afundar, pode se transformar em fundamento se recolhemos a “cabeça” do perdido e a convertemos em pedra sagrada: memória, respeito e novo começo. Honrar o Orí, mais do que qualquer talismã, é cuidar do trono de nosso destino; quando a mente e o espírito se alinham, os golpes da vida se convertem em portas para a grandeza.
No fundo de nossas águas internas se esconde o verdadeiro segredo. Às vezes a salvação chega disfarçada de peixe humilde, de solução simples, de conselho que não parece grandioso. Obedecer a Ifá implica cortar, uma a uma, as “cabeças” do orgulho, do insulto e do desprezo, porque o primeiro monstro vive dentro. Quando a soberba é quebrada, maldições antigas também se quebram. Mesmo quem foi “preso” pelo destino pode se levantar como rei quando se alinha com o sacrifício correto: o que antes era problema se torna exército, defesa e força a seu favor.
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Ebós de Oyeku Bika
Obra de defesa para Oyeku Bika
Quando chover, recolhe-se a primeira água de maio. A essa água dão-se duas pombas e depois se deixa secar diante de Obatalá ou de Orúnmila.
A crosta que fica no recipiente é recolhida, feita pó (Iyé), rezada no tabuleiro de Ifá e utilizada como defesa.
Iyefá do Odu Oyeku Bika
Prepara-se com muitas pétalas de alecrim-do-campo.
Dão-se duas pombas e se coloca para secar ao Sol.
Depois se faz pó e se mistura com pó de inhame (Inshú).
Oyeku Bika para mulher
A mulher com este Odu deve receber Ikofafun urgentemente.
Ervas (Ewe):
- Ébano carvoeiro.
- Majágua.
- Pinheiro.
- Granadilha.
Rezo do Odu Oyeku Bika
OYEKU BIKA LERY MESAN OBAN LODO AWO ILE
GUNGUN ELEMERE EGUN AWO KORO IWA EGO KAFEREFUN
ASHEDA KAFEREFUN OPA IGUI LERI MESAN.
Suyere (canto)
BABA LERY IKU MESAN LERY IKU OPOLOPO
LERY IKU ASHEDA LERISO
LERY YEKU BIKA OYEKU AGONA.
Patakies (Histórias) do signo Oyekun Bika
A agonia da morte
Neste caminho, vivia um velho Babalawo chamado Oyeku Bika. Em seu jardim havia um pequeno pardal doente (abukenko). O ancião, movido pela compaixão, cuidou dele com paciência e dedicação até que o pássaro sarou e pôde voar livre e feliz.
Tempos depois, Oyeku Bika precisou de uma cabaça selvagem para preparar um segredo de seu Odu, mas não tinha nenhum. Preocupado, começou a lamentar-se. Nesse momento, ouviu um grande ruído sobre a casa e, ao sair, viu chegar cerca de cem pássaros. Cada um trazia no bico parte dos ingredientes de seu segredo e um deles deixou cair uma semente de cabaça selvagem em seu quintal.
O Babalawo semeou a semente e, pouco tempo depois, nasceu uma bela planta de cabaça. Dela tomou um fruto, consagrou-o e encheu-o de axé. Aquela cabaça tinha um poder especial: cada vez que Oyeku Bika tomava axé de seu interior, o conteúdo se repunha sozinho, de modo que nunca se esvaziava. Graças a essa bênção e à sua boa conduta, o ancião chegou a ser o Babalawo mais respeitado e famoso da região.
Sabendo de sua boa fortuna, um velho feiticeiro cheio de inveja quis imitá-lo. Vigiou-o durante dias e, quando acreditou que ninguém o via, roubou a cabaça de Oyeku Bika. Encerrou-se em sua casa, ansioso por desfrutar do suposto poder. Com muito esforço conseguiu abrir a cabaça, mas em vez de axé, de seu interior saíram toda espécie de animais ferozes e venenosos: escorpiões, sapos, serpentes e bichos peçonhentos. Atacaram-no sem piedade e o feiticeiro morreu de forma lenta, sofrida e dolorosa.Oyeku Bika, em contrapartida, viveu longos anos e morreu ancião, em paz e de morte natural. To Iban Exu.
Explicação: A história mostra como o bem sincero abre caminhos de bênção, enquanto a inveja destrói. Oyeku Bika cuidou de um pardal sem esperar nada e a criação retribuiu esse gesto com uma cabaça inesgotável de axé e uma morte em paz. O feiticeiro, em contrapartida, quis roubar o fruto do esforço alheio e acabou encontrando veneno e sofrimento. Ifá ensina que quem age retamente, sobretudo no espiritual, colhe calma; quem age mal, colhe agonia.
A inveja do irmão mais velho
Havia dois irmãos Babalawos. O mais velho chamava-se Oyeku: orgulhoso, ambicioso e amante das coisas grandes. O menor, Yere Bika Lomi, era humilde e prestativo.
Um dia, ambos deixaram a casa de seus pais para buscar fortuna. Ao chegar à cidade, Oyeku decidiu ficar ali. Yere, em contrapartida, internou-se no campo e começou a atender a todos, sem interesse desmedido, contentando-se com o que lhe dessem. Sua simplicidade e bom coração fizeram com que, em pouco tempo, tivesse grande sucesso: ao cabo de um ano era dono de uma fazenda próspera, com muitos animais e abundante dinheiro.
Então decidiu ir à cidade visitar seu irmão para, juntos, regressar para ver seus pais. Antes de viajar, consultou Orúnmila, que lhe indicou um contratempo no caminho e que deveria fazer Ebó, incluindo um colar de sabugo de milho que deveria colocar no pescoço. Yere cumpriu à risca.
Ao chegar à cidade, viu que seu irmão estava pobre. Oyeku não consultava sem dinheiro, não atendia os pobres e cobrava caríssimo; por isso ninguém o procurava. Yere lhe falou da fortuna que havia alcançado graças à sua humildade, e insistiu em ir juntos visitar seus pais. Oyeku não queria ir, porque não tinha nada para lhes levar, mas Yere o convenceu dizendo que ele levaria pelos dois.
Durante o caminho, a ambição de Oyeku cresceu. Tramou em seu coração livrar-se de seu irmão para ficar com toda a sua riqueza. Ao chegar a um rio, convidou Yere para se banhar. Quando este se aproximou da margem, Oyeku o empurrou pelas costas e o lançou na água. A corrente arrastou Yere até perdê-lo de vista. O mais velho, crendo-o morto, seguiu seu caminho e chegou sozinho à casa de seus pais, onde contou a suposta desgraça e começou a preparar o Ituto de seu irmão para depois se apropriar de todos os seus bens.
Enquanto isso, Yere era arrastado pela corrente, mas o colar de sabugo de milho continuava flutuando em seu pescoço. Ao passar debaixo de uma árvore, alguns macacos que estavam nos galhos viram o colar e se lançaram na água para pegá-lo. Ao puxá-lo, levantaram também Yere, que pôde agarrar-se a um galho e alcançar a margem. Assim, graças ao Ebó e ao colar, salvou a vida.
Finalmente, chegou à casa de seus pais e lhes contou o ocorrido com seu irmão. Nesse momento, Oyeku não estava, porque havia saído para buscar o necessário para fazer o Ituto. Quando o chamaram, entrou na casa e, ao ver Yere Bika Lomi de pé, vivo e à sua frente, o impacto foi tão grande que caiu morto de repente.
Então, ironicamente, foi Yere quem teve que fazer o Ituto de verdade para seu irmão mais velho.
Explicação: Este patakie de Oyekun Bika ensina que a verdadeira riqueza nasce da humildade, do serviço e do cumprimento do Ebó, enquanto a inveja e a ambição desmedida conduzem à ruína. Yere prospera porque atende a todos sem cobiça e obedece a Orúnmila; seu colar de sabugo, fruto do sacrifício, se converte em instrumento de salvação. Oyeku, em contrapartida, tenta ficar com o que não lhe pertence, trai o sangue e prepara o Ituto de seu próprio irmão para herdar sua fortuna, mas acaba encontrando sua própria morte. Ifá mostra que quem quer afundar o outro com traição se afunda a si mesmo, e que o caminho de quem age com retidão, embora pareça mais lento, termina sempre em proteção, honra e paz.
Exu do Odu Oyekun Bika: ALABONA
Preparação:
O cimento é amassado com água de rio.
Em cada face da pedra é colocada uma lâmina, com suas correspondentes plumas e contas de Orúnmila.
Pedra: De rio, de duas faces.
Carga:
Erva garro, erva fina, erva bonequinha, 13 pimentas-da-guiné, moeda de prata, ero, obi, kolá, osun naború, obi motiwao, aira, areia de rio, terra de quatro esquinas, jutia e peixe defumado, azeite de dendê, milho torrado e os demais ingredientes secretos de Exu.
Oyekun Bika Ifá Tradicional
ÒYÈKÚ ÌKÁ
Gúnnugún bà lórùlé
Ojúu re a tólé
Ojúu re a móo tóko
A díá fún Sànìyàn
Sànìyàn tíí serú ìpín lórun
Wón ní ó rúbo
Oníkálúkú ló ti yan ìpín tí òún ó jèé nnú ìyá è
Ngbà tí n bò látòde òrun
Ngbà ó dé ilé ayé
N wá n bèèrè pé bóo lòun ó ti se
Wón ‘ní o ó pé bóo ni’?
Ebo lÒrúnmìlà mò
Gbogbo nnkan téé bá yàn tí ò bá dáa
Òun ní ó móo báa tín fi ebo gbé e sójú ònà
Wón ní kó lòó bo Orì è
Wón lórí móoó bá won jà
Wón ó móo pé Ifá ni
Ló bá rúbo
Ayé ye wón
Wón bóójú ònà
Wón ní béè làwon Babaláwo tàwón wí
Gúnnugún bà lórùlé
Ojúu re a tólé
Ojúu re a móo tóko
A díá fún Sànìyàn
Sànìyàn tíí serú ìpín lórun
Wón ní ó sá kàalè ó jàre
Ebo ní ó se
Won nÍfá ni
Sànìyàn
BÒrí bá n bá woón jà
Won a nÍfá ni
Sànìyàn
Àsé Orí ní n bá woón jà làyé?
Oyekun Ika: Ifá deseja que esta pessoa esteja bem. As boas fortunas tocarão sua mão, mas ele deve oferecer sacrifício. Ifá o aconselha a oferecer sacrifício ao seu Orí; e também a perguntar o que seu Orí aceita. É essa coisa desejada por seu Orí que ele deve oferecer. Suas coisas não serão estragadas.
O Abutre se pousa em cima de uma parede alta
Seu olhar cobriria a cidade
Seu olhar cobriria o bosque
Fizeram adivinhação para Sànìyàn
Sànìyàn o escravo do destino no céu
Pediram-lhe que oferecesse sacrifício
Todos havíamos escolhido que ele ou ela deveriam voltar durante sua fase subliminal
Ao vir da cidade do céu
Quando chegou à terra
Quando estava perguntando o que fazer
Eles disseram “O que você sabe?”
Òrúnmìlà é aquele que não conhece nenhuma outra coisa exceto o sacrifício
Todas essas coisas que o homem escolhe como destino que é mau
É isso que deveria usar para recomendá-lo como sacrifício
Eles disseram a Sànìyàn para ir e oferecer sacrifício ao seu Orí
‘É seu Orí que estará contra eles’
‘Eles diriam que é Ifá’
Ele realizou o sacrifício
E a vida o agradou
Eles desandaram seus passos ao caminho correto
Eles disseram que foi exatamente o que seu Babaláwo previu
O Abutre se pousa em cima de uma parede alta
Seu olhar cobriria a cidade
Seu olhar cobriria o bosque
Fizeram adivinhação para Sànìyàn
Sànìyàn o escravo do destino no céu
Aconselharam-no a cuidar da terra
E oferecesse sacrifício
Eles diriam que é Ifá
Sànìyàn
Se seu Orí está contra eles
Eles diriam que é Ifá
Sànìyàn
Então seu Orí é o que está contra eles na terra?!